sábado, abril 20, 2013









ao ré com sétima aumentado
seguia-se o si menor com sétima
e baixava-se o ânimo um mi menor feio
dava-se o encontro não de olhos, os
braços se cruzavam,
era bom, entre mesas chiques
luzes sombrias e brilhos incompatíveis.

como que um público olhasse
aquele momento privado, e olhava!
dois rotos naufragando numa grande
sala de estar, de sentir, de ser, de definir.

um suor nas pálpebras, um descanso
de jornada longa.
um reencontro de almas.
uma flor branca roubada na passagem.
um ânimo nos olhos da amada, uma
lágrima. Que não veio.
flor no cabelo, agás e us sincronizados
exclamativos, num silêncio de glória.

interjeição e fotos








Quando as filhas fazem 15 e 11 anos
Um céu de fogo da janela do quarto de cima
Um cestinho de frutas colhidas no quintal
Manga, abacate, maracujá, goiaba, limão e quincan
umas flores lindas que têm ao fundo
um joelho de 100 com saída
para 50 de esgoto, que serve para
tampar o suspiro da fossa e atrapalhar a
beleza mágica das flores,
aliás, a palavra suspiro é muito mágica
para anteceder a palavra fossa.
Deveriam urgentemente arranjar outro
nome para isto.
Afinal, suspiro é um doce caseiro,
suspiro é um arrepio por dentro,
afinal, suspiro é pensar em ti...
suspiro é seguir uma interjeição, que,
segundo Eurídice, ia de quadrante a quadrante,
no costelado de um cavalo, rompendo cerca
abrindo pasto, cobrindo uma jornada,
pra voltar a minhas mãos.
Este é o suspiro.

terça-feira, abril 16, 2013

o desenho






dois se namoravam sem saber,
havia uma ruína uma árvore, velha,
uma gameleira, era ou não 
uma janela coberta de 
era, de outra era.

uma parede verde musgosa
lembranças de vozes
e coro, lembranças
de preces e cruzes
no alto os urubus pairavam
imóveis, quase vorazes.

um túmulo silencioso, da janela 
se via o verde acarcado, o rabo dum
bicho sumido e uma música longe
um caramujinho passava
de lado a lado, leniente,
fazendo seu brilho no rastejar
incerto, porém, impávido.