terça-feira, julho 31, 2012

disparidade









éramos tão iguais, era o encanto
da beleza que havia, era a poesia,
dos cantos da sala, da languidez
dos momentos de descanso.
éramos a calma e o atraso, a paciência

fiquei para trás, eu, a metade
de cá, a olhar o riachinho bobo,
o carvalho hirto e alto, verdolengo
continuei com meus carrinhos e
meus livros

a outra metade evoluiu, entrou no mundo
e na vida, se expôs ao sol e à
impertinência, em águas de outras bicas
se entorpeceu, se excedeu e muito
se expandiu, se exauriu

já não há mais muito o que falar,
o olhar é magro, a pele se rubra
a desigualdade grita, a diferencisse
machuca
eu, a metade de cá se estreitando
no cantinho mais longínquo, mais
lúgubre
a outra metade, não sei, não
a reconheço mais
excede...


quarta-feira, maio 09, 2012

o burrico do migliaccio

E não é que o cara se chamava Carrapicho, o burrico...

domingo, abril 22, 2012

terça-feira, abril 10, 2012

um punhal na carne

 a regra do desespero












perdoe-me os olhos secos e tristes
a voz sumida o coração latente
o amplo do meu riso secou-se
quando seu riso não mais só a mim
pertenceu


seu riso secou meu riso
agora é o penar das horas do acostumar-me
em eu, não ser mais eu mesmo
em você não mais se ser


Eu finjo o ator que sou
você insinua o papel que me convém
é a hora do desencontro, do desconhecer
é a hora da realidade

sexta-feira, março 23, 2012

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

movimento

 espaço para o choro












Sorrateiro é o movimento dos não livres, 
os que se acham livres, 
por isso sua dança.
Sua dança noturna, covarde, seu ar de vulto.
Seu suspiro de prazer encima de uma vítima
indefesa e inerte...
Seu golpe letal...

domingo, janeiro 01, 2012

bisnaga amassada de catchup

tinha um tempo de arte










na claridade da noite quente
seguro pelo fio da faca silente
- pare a rima -
pois, o sangue escorre para cima
de minha liberdade
elástica
dou dois contos para escrever isto
na calamidade do improviso
no esguicho tonto do corte
de minha voz que assobia
constrangida a marcha negra
batida nas poeiras
dos pés que ditam
um aqui, um ali em som
seco, em batida surda
na lânguida preguiça
do ato fúnebre do não
ter o que dizer