quarta-feira, novembro 16, 2011

segunda-feira, novembro 14, 2011

domingo, novembro 13, 2011

rascunhos






quero desenhar o mundo, traçar, todo mundo

riscar com um traço seco o telhado da ermida
com o grafite mais fino o queixo da gueixa
que não para de se mexer

o arbusto disforme e incompleto
a chama inexistente da igreja velha
a ponte de aço ou de carvão

com o carvão seco citar algo
nos ouvidos do poeta de óculos
com um único traço, percorrer da testa
ao fim da nuca

a gravata amarro com o grafite mais
largo, sujo minha mão e faço sombras
sob os olhos, coloro a boca de falta de cor
rabisco o cabelo desalinhado da moça

junto então todas as pontas, movimento
a mão poucas vezes, traço rápido,
corte certo
não reconheço nele o que em mim
ressalta

são minhas imagens, mais minhas
que deles, são o que vejo do mundo, o reflexo
que fizeram em mim de suas presenças
compactas, às vezes, de suas palavras
lavradas, deixo seu brilho falar por mim

sobrinha de naim

Graça