quarta-feira, novembro 02, 2011

pouco importa







evito me misturar a aqueles, os quais, agora estou seguro,
estão mortos, a presença obscura do guardião,
heráclito ou euclídes, pouco importa,
me reverencia em gesto condolente e olhar brilhante.
minha procura chegava ao fim, procurava, um lugar
detrás do muro, um jardim, crianças branquíssimas
esperavam, jovens se esmeravam.
e nada adiantava mais minha ânsia, meus anseios 
e minhas fugas
do outro lado do muro a paz, aquilo que eu queria?
adentrando em solo sagrado, sem saber, marchando
rumo à casa dos saberes e das paciências,
ante a calma mansa e o tédio de seus moradores.
mesmo que prorrompa em injúrias e lamentos
meu tempo está no fim, o guardião nada evita,
nada fala, nada explica.
e na vaga escura entre canteiros de flores e céu
azul, num frio de gelar vontades e desejos
me lanço à liberdade, à mobilidade, já
agora, sabendo de minha eterna prisão.
a morte me envolvia em sua gaiola,
sem grades, sem limites... sem correntes.