terça-feira, janeiro 25, 2011

bert

terceira fileira de baixo pra cima





A fumaça azul saía aspiralando, me estorvava, cada pergunta que lhe fazia era respondida com versos secos, incômodos. Não conseguia tirar os olhos de seus olhinhos de arroz, não era oriental, os óculos redondos me distraía. Isso era injusto. Repeti a pergunta, o que seria a fumaça, o que seria a alegoria. Rindo, redondo, fechando os olhos balançava a cabeça, virgulava, a fumaça rodava mais, a fumaça.

Tão moço, tu, não sabes de fato, não sentes quão forte é o sentimento real. Fumaça, árvore, mato, lago. A casinha me aconchega, bobo. Lá tem sempre alguém, aquele alguém a me esperar. A fumaça é um sinal, me avisa de sua presença.

E voltava corcunda, batia na máquina, sorvia o café frio. E tintas, e tintas viravam um rio de cenas. Um rio de forças e de vanguardas. E o aspiral da fumacinha habitual.