terça-feira, janeiro 18, 2011

pasmaceira

do tempo do tédio





ficar aqui, colhendo o verso

alheio
a frase bem pontuada
não minha
o acento perfeito robusto
robusto não se acentua
acentua não merecia um sinal?

encima da mesa o desespero
o olhar que se esvazia, que arde
o lugar que se faz da ausência
a marca profunda no sofá
o café frio no copo de vidro

um ar de óleo diesel vem sobre
o verde de fora, contorna
a cova dum bicho, bate no ninho doutro
balança o pelo do gato
pela janela penetra vadio
entorpece, nina

continuo inerte, contando as horas
com o rabo do olho, desfiando
os segundos com o murmúrio dos lábios
tocando o tempo nas contas de opala
amanhã continuo minha reza

segunda-feira, janeiro 17, 2011

câmpano

de quando o tempo foge






insinua-se na curva do som
que é verde e vem e vai faz a volta
do rio que leva e traz
que corta por detrás da montanha azul

insinua-se e sobe o clarão
e desce o tom do tenor em vão
balança e repica e se estira
no estardalhaço da noite que se esfria

e repica insinuado-se na rua
no beco escuro e musgoento
vem e vai de lado a outro subindo
a ladeira, descendo o morro, moço

até que um dia,
no pairar das almas
ao calor da vida
em hora calma

se despedaça o bronze e cai o sino ao chão.