sábado, setembro 17, 2011

estevão





Era uma inarticulação, a palavra não saia, o “éle” se multiplicava na boca, a língua adormecia e uma câimbra entorpecia o pensamento, a menção e a palavra. Of course meu amigo, eu admito meu medo, meu maior infortúnio. O chifre, aquele que não existe. Isto é por demais bovino, João. Cá ficava eu, inerte. Por detrás dos óculos grossos seus olhos azuis aumentavam em uma miopia muito mais complicada e estonteante. A dor, ele continuava, a dor da insegurança. A bengala fazia dois sons, o de bater ao chão, rítmica e o dos anéis inquietos e coloridos, cada um de uma pedra diferente. Cada um, um orgulho. Um filho.

O vulto vagava na beira do cais silencioso. O lume indefinido distante marcava um movimento inexistente e bem de longe, de alguma taberna fechada corriam risadas de mulheres escandalosas. Gritos mórbidos de ternuras mal disfarçadas. Sinais evidentes da alegria destilada em gim e whisky, fora a muita cerveja. A noite se esforçava.

Aquilo era reviver, era voltar ao dia 16, do início daquele verão. Era reviver as aflições e as mentiras dos inimigos. João! Você entende? Era tentar ver a imagem que não tive acesso. Estou esperando a reflexão da lua. Talvez ela...

Seco e grosso, tenho medo, tenho medo, tenho medo, quero ter o ciúme do morto, daquele maldito, desgraçado. Daquele morto. Tenho medo e ciúmes.

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