quinta-feira, junho 09, 2011

musa

levantei o véu, parece que eu estava tocando piano
eu, que não diferencio uma semínima de uma clave
de sol
uma imagem irradiante me ofuscou, lá estava, bela
de baixo do brilho, do sorriso, do vibrar

abra os olhos mulher, veja além de suas pupilas
ouça o tom dissonante da sua alegria em dó
e o pombo e seu arrulho de cima do telhado estronda
o espaço, o pombo arrulha, arrulha mesmo?

oh jovem, tu que cantaste outra palavra, que aflito
descendo o barranco desviaste da touceira velha de picão
não desvejas o brilho forte e os olhos a te olharem
no clamor das graças e nos soluçares da razão.
obscuro jovem.

e turva o verso acima a rima dura infame
na música requintada de cores, emaranhados e o som do
metal arranhando o ar
levante a cabeça da escuridão, sonhe, sonhe
com o escuro brilhante da noite do desejo absoluto.

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