terça-feira, janeiro 18, 2011

pasmaceira

do tempo do tédio





ficar aqui, colhendo o verso

alheio
a frase bem pontuada
não minha
o acento perfeito robusto
robusto não se acentua
acentua não merecia um sinal?

encima da mesa o desespero
o olhar que se esvazia, que arde
o lugar que se faz da ausência
a marca profunda no sofá
o café frio no copo de vidro

um ar de óleo diesel vem sobre
o verde de fora, contorna
a cova dum bicho, bate no ninho doutro
balança o pelo do gato
pela janela penetra vadio
entorpece, nina

continuo inerte, contando as horas
com o rabo do olho, desfiando
os segundos com o murmúrio dos lábios
tocando o tempo nas contas de opala
amanhã continuo minha reza

2 comentários:

glaura disse...

buscando os versos de outrem
tomados pelas vozes que anunciam
os poetas que virão
saudade é palavra que se escreve quando a distância aperta o coração
um beijo

Confligerante disse...

Essa é a poeta nos seus dias de felicidade, eita!