domingo, dezembro 25, 2011

sonho

 momentos de desejos












Que esta odiável noite se torne dia
e que o sabiá me acorde o mais cedo
possível.
Assim poderei ver o ronco dos bárbaros,
contemplar o fel verde escarrado
por suas laringes.
Sentir a podridão do álcool que
empesteia a limpa manhã,
dos melros, lá,
dos bem-te-vis, daqui e
dos sabiás de todos os lugares.

quarta-feira, novembro 16, 2011

segunda-feira, novembro 14, 2011

domingo, novembro 13, 2011

rascunhos






quero desenhar o mundo, traçar, todo mundo

riscar com um traço seco o telhado da ermida
com o grafite mais fino o queixo da gueixa
que não para de se mexer

o arbusto disforme e incompleto
a chama inexistente da igreja velha
a ponte de aço ou de carvão

com o carvão seco citar algo
nos ouvidos do poeta de óculos
com um único traço, percorrer da testa
ao fim da nuca

a gravata amarro com o grafite mais
largo, sujo minha mão e faço sombras
sob os olhos, coloro a boca de falta de cor
rabisco o cabelo desalinhado da moça

junto então todas as pontas, movimento
a mão poucas vezes, traço rápido,
corte certo
não reconheço nele o que em mim
ressalta

são minhas imagens, mais minhas
que deles, são o que vejo do mundo, o reflexo
que fizeram em mim de suas presenças
compactas, às vezes, de suas palavras
lavradas, deixo seu brilho falar por mim

sobrinha de naim

Graça

sexta-feira, novembro 11, 2011

dueto

 de tempo de encontros






Gatinhos fofinhos,oncinhas pintadas , zebrinhas listradas,
ursinhos de pelúcia.... vão se fuck you
Todos vocês seres inúteis e mimos aristocráticos...
Vão todos se fuck you
Coisas depravadas, seres imundos criados pelo maligno,
Encardido, pelo cão, pelo tinhoso
Tudo o que há que existe vão se fuck you
Mentiras e verdades com quem estão?
Verdades estão nas mãos gatinhos fofinhos,
rapazinhos das mamães e a mentira sustenta em vão
a existência dos deploráveis.
Verdade seja dita pelo não dito, pelo mimo,
intocável de reputação putação , homem de bem!
Homem de bem, homem quem, vem, de bem, bem bem...
Vá para o inferno para ver até onde vai e dura a sua ilibação
sua pose de menino mimado, oncinha pintada, cuequinha dourada.
Sinta o frio ignorante e solene nas profundezas do seu
Freio que não vai funcionar, 
onde seus gritos, você, Fausto, besta, serão o manjar
do cramunhão que lhe espera e sorriso nos dentes e gengivas
como uma ogiva nuclear de merda, que fede, fede, fede...
Engula goela abaixo seus momentos de jogar pipoca
para os sapos do brejo que pra você é parque,
com o sorriso sereno de quem fez a terefa direitinho.
Engula sem engasgar ao ver o ser que lhe observa.

Ursinho fofinho, quando pisares no lodo escorregadio,
serás um escovão e de ti a palha de aço grossa arrancará
o sorriso seguido, reticente e soberbo que carregas.
Sua grana da puta labuta que pagas.
O mel da tua boca que azeita mais ainda a desgraça do
desgraçado que tem o nível do lamaçal sob a ponta do queixo.
Tu estendes a mão e o desgraçado afunda mais.
Nada vale, ninguém vale, tudo é compra e venda no mercado
do terror, aquele que chamamos de ramerrão.
Reconheço, eu, a minha condição hilária de nada de
pluma leve que com o vento vai, com o vento volta a
cair neste abismo sereno e triste que chamo vida.

Madame Blanc & Confligerante

domingo, novembro 06, 2011

quarta-feira, novembro 02, 2011

pouco importa







evito me misturar a aqueles, os quais, agora estou seguro,
estão mortos, a presença obscura do guardião,
heráclito ou euclídes, pouco importa,
me reverencia em gesto condolente e olhar brilhante.
minha procura chegava ao fim, procurava, um lugar
detrás do muro, um jardim, crianças branquíssimas
esperavam, jovens se esmeravam.
e nada adiantava mais minha ânsia, meus anseios 
e minhas fugas
do outro lado do muro a paz, aquilo que eu queria?
adentrando em solo sagrado, sem saber, marchando
rumo à casa dos saberes e das paciências,
ante a calma mansa e o tédio de seus moradores.
mesmo que prorrompa em injúrias e lamentos
meu tempo está no fim, o guardião nada evita,
nada fala, nada explica.
e na vaga escura entre canteiros de flores e céu
azul, num frio de gelar vontades e desejos
me lanço à liberdade, à mobilidade, já
agora, sabendo de minha eterna prisão.
a morte me envolvia em sua gaiola,
sem grades, sem limites... sem correntes.

terça-feira, setembro 20, 2011

dúvida

 de tempo de dúvidas





entre eu e mim
um espaço sem fim
entre eu e mim
um fim?
entre eu e mim
ai! de ti
entre mim e eu
alguém se fodeu...

segunda-feira, setembro 19, 2011

freudvoll und leidvoll

quebrando o ritmo, agora um pequeno excerto ou Auszug, e este
vai para Glaura, e este é de Goethe



Freudvoll
Und leidvoll
Gedankenvoll sein
Langen
Und bangen
In schwebender Pein,
Himmelhoch jauchzend, 
zum Tode betrübt;
Glücklich allein
Ist die Seele, die liebt.

domingo, setembro 18, 2011

sábado, setembro 17, 2011

estevão





Era uma inarticulação, a palavra não saia, o “éle” se multiplicava na boca, a língua adormecia e uma câimbra entorpecia o pensamento, a menção e a palavra. Of course meu amigo, eu admito meu medo, meu maior infortúnio. O chifre, aquele que não existe. Isto é por demais bovino, João. Cá ficava eu, inerte. Por detrás dos óculos grossos seus olhos azuis aumentavam em uma miopia muito mais complicada e estonteante. A dor, ele continuava, a dor da insegurança. A bengala fazia dois sons, o de bater ao chão, rítmica e o dos anéis inquietos e coloridos, cada um de uma pedra diferente. Cada um, um orgulho. Um filho.

O vulto vagava na beira do cais silencioso. O lume indefinido distante marcava um movimento inexistente e bem de longe, de alguma taberna fechada corriam risadas de mulheres escandalosas. Gritos mórbidos de ternuras mal disfarçadas. Sinais evidentes da alegria destilada em gim e whisky, fora a muita cerveja. A noite se esforçava.

Aquilo era reviver, era voltar ao dia 16, do início daquele verão. Era reviver as aflições e as mentiras dos inimigos. João! Você entende? Era tentar ver a imagem que não tive acesso. Estou esperando a reflexão da lua. Talvez ela...

Seco e grosso, tenho medo, tenho medo, tenho medo, quero ter o ciúme do morto, daquele maldito, desgraçado. Daquele morto. Tenho medo e ciúmes.

domingo, setembro 04, 2011

a propósito










a propósito, cerre os dentes e olhe pra frente

vá a seu roupeiro e tire de lá o vestido amarelo
aquele que lhe custou horrores
o de detalhes vermelhos, lhe deixa viva
na penteadeira tem rouge, tem sombra, tem rímel,
o batom pode ser um que lhe marque
se aprume, melhor por a ombreira, espere...
pensando bem o vestido preto decotado lhe deixa
mais mulher, isto,
o sapatinho italiano, que lhe foi caro, lhe mandou
para o essepecê, eu sei
dá calo, dói, mas é o preço gata,
queixo pra cima, assim, engole o choro
intercepte a lágrima, acorde de vez
só mais um pouco e estará linda, não
se esqueça das pílulas, o rivotril, o assert,
aquele para você não dormir, ou outro para
dormir, o final de semana será barra
assim que lhe gosto, assim que lhe quero
ah, pegue o riso mais alegre, aquele, que tinha
quando era menina, o riso quase do gato de Alice
o riso que ganhou tudo
está no armário, debaixo do pranto,
debaixo do medo, debaixo da angústia
pegue-o e vamos...

poema moderno








enquanto o computador digitaliza minha arte
e me interage no mundo e e na teia da aranha
cibernética
a máquina de lavar louças me livra do açoite
e em seu enxaguar de ondas e seus sons
me embala e nina
me torno cidadão do mundo

terça-feira, agosto 30, 2011

amorfia do tempo

do tempo amórfico





quanto tempo espera inerte
o pobre diário ao lado do punhal
o diário velho amarelado
se assoprado voa poeira
voa tempo voa o segredo
voam os desejos

o punhal ao lado espera junto aos
óculos de tartaruga
espera em seu brilho de ponta
fria, a hora, o lugar
espera o caminho e o dorso farto
espera que a carne macia
o receba

se limpado a prova persiste
se lavado a dor aumenta se
sumido a lembrança aperta

os óculos e suas lentes
servem pra tentar ver, crer
tomar o significado como termômetro
eis que derrama o mercúrio
se solta pelo chão rolando
qual um chumbo derretido
levando segredo/desejo
prova/lembrança
lente/visão

terça-feira, agosto 23, 2011

scheuss

baby tuckoo

daedalus

bloom (himself)

segunda-feira, agosto 15, 2011

domingo, agosto 14, 2011

marcel


É emblemático que ele, mesmo trabalhando em casa, mesmo sem nenhuma expectativa de receber visitas amistáveis ou bélicas, quais fossem, já que clientes não os tinha, se empinava na eretidão do espaldar inflexível, em seu semi-terno, com gravata e abotoaduras todas. Fazia a questão ritualística, de nunca vergar, de nunca ceder. Como que, se, a ordem do mundo, de repente, no piscar do olho do abutre, se amainasse. E todas aquelas cargas insuportáveis perdessem seus valores, suas toneladas, suas cores infundadas.

Diante de qualquer trabalho, fosse o de recensão, fosse o de edição ou mesmo o de visto diário encima de textos a serem retrabalhados ou preenchidos, aliás, a simples leitura habitual diária, era mantida a postura de quem está sempre posto frente a grande público. A barba era feita meticulosamente duas vezes ao dia, mesmo porque, densa e escura, fazia a notória e não (para ele) tão boa impressão.

Naquela época eu era um cinzeiro, sim, um cinzeiro, Marcel não fumava, e com a escassíssima possibilidade de ser usado, mantinha uma vida feliz, vez ou outra, quando muito, aterrizava um clips, ou um saquinho de chá, molhado, grudento, sobre mim. Mas era raro, já que Marcel se apegava muito à organização, e qualquer ato compulsivo encima de minha bacia era corrigido em poucos minutos. Passei com o tempo a entender o que ele falava, já que, era de sua mania conversar consigo mesmo. Era sua a mania de recordar os acontecimentos passados sempre em voz alta.

Assim lembro de suas lembranças na escola, da brincadeira, para ele sem graça, não tenha o espírito tão enriquecido assim, uma afronta que era diretamente alusiva a seu sobrenome, sendo que seu desempenho escolar era bem acima da média. Era um espirituoso e disso não tinha culpa. Se aparecia era a sorte de sua raça que se destoava.

Suas aventuras, que aventuras? No Gueto de Varsóvia, naquele inferno. Talvez a maior teria sido o livro de poemas à amada. E assim, transcreveria de cabeça um livro de poemas, Um Jovem Ama uma Menina, pincelando aqui e lá poemas de grandes nomes da literatura que se acomodavam em sua memória tenra e vasta. E leriam juntos, noites e mais noites, nas fugas voluntárias, no desespero da prisão, na insalubridade da ignorância. No ranço do acontecimento presente. Medo? Talvez, mas provavelmente do acontecido e do a acontecer, do presente só tinham o desentender normal dos jovens que queriam o amor e a vida normal.

sexta-feira, agosto 12, 2011

segunda-feira, agosto 01, 2011

tentativa 11




Traço inspirado em figura de ALBERTO, retirado do livro EÇA DE QUEIROZ O Homem e o Artista, 1945 (João Gaspar Simões) pp. 273

quinta-feira, julho 28, 2011

quarta-feira, julho 27, 2011

quinta-feira, julho 21, 2011

quarta-feira, julho 20, 2011

anônimo

estante







Devia feder debaixo daquela roupa espessa, escura. Claro que o frio era implacável,
claro que a pena sujava-lhe a mão horrivelmente. Claro que o que ele escrevia era
romantismo úmido, tinha o cheiro do orvalho dos campos de centeio do norte, ou
o ranço da pouca madura.
Os passos foram sempre pesados e firmes, o soalho impregnava o som de séculos, e o
que ressoava do carvalho seco e lustrado era o compasso de outra caminhada. De
outra era.
A poesia encarnava a paisagem, os campos, as reses, os pés de maçãs carregados,
os patos, ora em vôo ora nadando.
O amor era saudável como o rosto vermelho da camponesa doce. De fartos seios e de
pele rija, clara.
A guerra era o palco dos fortes, da honra, da cabeça que se erguia para o sentimento
pátrio.
Era este o literato desconhecido, o poeta da terra, o contador e inventador de estórias,
o anônimo que foi autor de todas as escritas que não tiveram pai e nem tampouco,
mãe.

tentativa 5




tentativa rosa

tentativa 3

tentativa 2



traço inspirado em fotografia de Hans Olde (1899)

tentativa



sexta-feira, junho 17, 2011

meu manacá floriu




à Marise Blanc à Kadija
à Glaura à Marli à Salete
à Ursula à Larissa
à Simone
à Patrícia à Jessica à D. Lourdes
à Gisele Maia à Suzana
à Paula à Júlia à Margarethe
à Dani à Sílvia à Daiane Carola

quinta-feira, junho 09, 2011

sintonia

João olhava a paisagem distante (não se sabe se João ou a paisagem), de cima do rochedo amarelado o azul do mar se estendia fictício emendando ar e água em degradês alcançados pela paleta do pintor. Suas mãos percorriam o ventre de Juliana que estava a sua frente, calada, colada a ele. Acariciava-lhe subindo de costela a costela até as sombras calcáreas dos seios, e como caneta tinteiro, deslizava para lá e cá maciamente, seguindo as curvas das letras do poeta.

Houve uma fissura, você e eu tomávamos vinho em copo, um vinho de primeira, espanhol e fazíamos o alarde disso, para que as pessoas nos olhassem e nos olhavam tortamente. Nosso vinho continha água, muita água e se tornava rosé e ficava fraco e tudo era uma farsa esquisita, mas os outros não sabiam, até que o torto do olhar se transformava em inveja. Houve juras recíprocas e os corações batendo forte e minha cabeça doía, e o carro virava e eu ouvia novamente as tartaruguinhas batendo sob os pneus que sacolejavam e eu não entendia o porquê do seu aperto, por quê me apertava assim o braço, e me lembrei que Kafka tinha ficado sem ar quando o peguei pelo braço para ajudá-lo.

Acima, lá, o personagem principal que não vê o rosto de Juliana julga somente quem seja, mas não sabe e não a vê. O cérebro trabalha e dificulta as coisas, por mais claras que pareçam ser.

Juliana já não é Juliana, Juliana são todas as mulheres dos sonhos, e contracena com o personagem principal. Agora é Juliana dois que brinca, que se embebeda e ri do público, e se jubila com a situação e faz cara feia ao sentir o gosto semi-azedo do vinho aguado.

João olhava a tela do computador, Juliana, a terceira, aponta com o dedo o que parecia o menu de um DVD, eram imagens dela ao lado de José, aquilo intrigou e enturveceu os olhos de João, era alguma história a ser contada. João se concentrou, achava extremamente estranho o fato de não ter ouvido nenhuma vez a voz de Juliana, nem sabia mais como soava, aliás, quem era Juliana? a imagem que aparecia no ecrã era-lhe conhecida, o cabelo de outra época, na verdade tudo estava parecendo agora como se fossem fotos amarelecidas com o tempo.

Cada vez que o mouse passava em cada imagem esta se mexia e um filme acontecia, primeiro o sorriso largo e gaiato de Juliana mãos dadas a José, rodavam como crianças em um jardim verdíssimo, Juliana de leve pegava um vôo curto, sua saia voava e seu rosto branco se avermelhava.

Em outra imagem acontecia a figura de Juliana com olhos inchados, uma criança num cantinho via uma cena mas mostrava que não queria ver, ela se espremia entre as duas paredes, José parecia se agigantar, José era bonito, tinha uma barba bem feita e um rosto saudável, se impunha mas não dava a impressão violenta que alcançava, a violência sua era vista não nos atos, mas nos resultados.

Em cima de outra imagem tinha um dístico que falava da maior paixão de Juliana e José, o paraquedismo, eram fascinados por este esporte, o mouse voava em cima de um para-quedas e se abriam inúmeras outras imagens, os dois estavam nos mais diversos cantos do mundo, viam-se na neve, no Tibet, na Suiça, em Oklahoma, em Montreal e até mesmo caindo sobre a cidade do Cairo, uma das mais bonitas mostrava os dois de mãos dadas em um só para-quedas e no fundo se via a Pirâmide de Queópes.

João via agora, uma última cena, o para-quedas de Juliana se esvoaçando, José sorria sarcástico, não parecia aquele cara sereno, mau em sua candura. Juliana se desesperava e a imagem do ecrã olhava diretamente para João, que nada podia fazer, e que tentava segurá-la, tentava apará-la, em vão. Juliana rodava, rodava, na roda com João, com José, com João tentando pegá-la na mão e rodava e caía e rodava e caía e rodopiava e era o infinito céu, sem fundo num abismo profundo e escuro.

musa

levantei o véu, parece que eu estava tocando piano
eu, que não diferencio uma semínima de uma clave
de sol
uma imagem irradiante me ofuscou, lá estava, bela
de baixo do brilho, do sorriso, do vibrar

abra os olhos mulher, veja além de suas pupilas
ouça o tom dissonante da sua alegria em dó
e o pombo e seu arrulho de cima do telhado estronda
o espaço, o pombo arrulha, arrulha mesmo?

oh jovem, tu que cantaste outra palavra, que aflito
descendo o barranco desviaste da touceira velha de picão
não desvejas o brilho forte e os olhos a te olharem
no clamor das graças e nos soluçares da razão.
obscuro jovem.

e turva o verso acima a rima dura infame
na música requintada de cores, emaranhados e o som do
metal arranhando o ar
levante a cabeça da escuridão, sonhe, sonhe
com o escuro brilhante da noite do desejo absoluto.

terça-feira, janeiro 25, 2011

bert

terceira fileira de baixo pra cima





A fumaça azul saía aspiralando, me estorvava, cada pergunta que lhe fazia era respondida com versos secos, incômodos. Não conseguia tirar os olhos de seus olhinhos de arroz, não era oriental, os óculos redondos me distraía. Isso era injusto. Repeti a pergunta, o que seria a fumaça, o que seria a alegoria. Rindo, redondo, fechando os olhos balançava a cabeça, virgulava, a fumaça rodava mais, a fumaça.

Tão moço, tu, não sabes de fato, não sentes quão forte é o sentimento real. Fumaça, árvore, mato, lago. A casinha me aconchega, bobo. Lá tem sempre alguém, aquele alguém a me esperar. A fumaça é um sinal, me avisa de sua presença.

E voltava corcunda, batia na máquina, sorvia o café frio. E tintas, e tintas viravam um rio de cenas. Um rio de forças e de vanguardas. E o aspiral da fumacinha habitual.