segunda-feira, janeiro 04, 2010

ufologia

de tempos cruéis










Escrafunchei estes céus como louco, deitei em terras e lajes
barriga pra cima, olho vidrado e ardente
(hoje uso óculos), acompanhei satélites artificiais
que se deslocavam de vão a vão

Meus olhos eram fracos e eu não sabia
mesmo assim ritualisticamente media
o céu que não era o mesmo, pois ímpar
esquadrejando marias e poetas cansados

Fui à Alemanha, de lá também quadro a quadro
em palmos, em frios de noites terríveis, dormi
no céu de Paris, claro que só ele em suas luzes, nada
vi estrelas ralas sob as areias velhas do mediterrâneo

Enfim, um anjo se foi um dia e que dia
pra nunca mais voltar, qual pluma que de leve se sossega
levando além de si um muito de mim
e com isso meus discos voadores de uma juventude terrível.