sábado, dezembro 11, 2010

Golden Hair

Golden Hair



faltaram os acordes ácidos de Syd
me perdoou! e ouvi na penumbra
nos acordes fórmicos TRISTES
os seguinte versos
simples






"Vem pra janela, loira minha
Te ouvi cantando, na fria brisa
meu livro fechou, não leio mais
No chão o fogo, a dançar
Deixei meu livro, deixei meu lar

Pra ouvir-te cantar no escuro
cante e cante, a alegre melodia
Vem pra janela, loira minha"
(sYD bARRET e jAMES jOYCE)

Livre tradução de Confligerante

(à mãe de Lelê, que hoje se foi)

sábado, novembro 20, 2010

dona Lourdes








Seria fácil se fosse somente contar sobre a experiência, isto é, aliás, o que deve ser mote. Amplificar a experiência vivida e dar a ela o toque de estilo, a forma e os coloridos a que se convém dar o nome de arte. Mas nem foi experiência, ou de outra forma, não foi uma experiência quase que alheia, externa, exógena. Não teve e não tinha fundo musical, não havia baloiçar de folhas nas grimpas das árvores, nem houve o verde de gramas e o murmurar sorridente de riachinhos morro abaixo. Não foi visto, por ali e por toda parte, nenhuma ermida em sua indolência com seu adro debaixo do sol hostil. Nem aquele cemitério de fundo, pacífico, onde os sabiás cantavam no final da tarde e eram respondidos por bentevis atrevidos. Não, nada disso, a experiência era só aquela intestina, a que se passava entre fígado e estômago, onde a diástole esquentava e a sístole dizia de um coração carente e bom. Tudo eram panos de interioridades, tudo era silêncio de tentativa de entendimento, tudo era no fundo, um grande desentendido.
Por qual motivo a experiência exógena não é intestina, externa não é interna, por que essa disparidade?
Porque o que se vê de fora são as ações do de dentro e é exatamente de dentro que se ouve a música, se vê o verde e se qualifica o sol a pino na moleira da igrejinha resplandecente. De fora se sente o gosto de sentir o de dentro sentindo a música.
Estava eu em meu cavalo, e por cá passava sempre, olhava o verde da grama e vez ou outra me tocava da estação vindoura, meu sentimento sempre esteve no que viria.
Era uma casinha rosa, e toda semana passava por ela e presenteava dona Lourdes com uma flor, sem cor, sem cheiro e sem caule, que de cima do cavalo, apanhava. Ela ria e me chamava de filho, seu sorriso de índia, sua pele brilhante, seu vigor de outras idades.
Não sei por qual motivo, mas eu gostava de repetir este roteiro, o caminho, o pensamento de que veria a casinha em seu rosa desbotando e a esperança de encontrar a janela aberta, sentir o movimento da lenha sendo acochada no fogão e trazer alguma novidade para lhe agradar e ouvir aquele “meu filho”.
Dona Lourdes sumiu de súbito, mas ainda era. Tempos fiquei sem vê-la, meu coração sentiu um lampejo de falta, que não compreendi, dona Lourdes voltou, e meu ritual voltou, a florzinha sem cor, sem cheiro e a novidade velha, o viço de moça que envelhecera. Era bonita dona Lourdes. Seu olhar era mais doce e seu jeito mais faceiro.
O contar. De outro ângulo eu ia acompanhando isto tudo, marcando cenas, gravando muxoxos e cochichos, estudando, semblantes daqui e palpitações delá. Parecia que um outro, outro alguém desenhava a cena em papel grosso, amarelado, com carvão afilado e que cá e lá retocava e reforçava os contornos de nós dois.
Eu era muito mais moço que dona Lourdes, ela poderia ser minha avó. Eu já sentava em sua cozinha há muito, meu cavalo ficava debaixo de uma goiabeira enorme, comia o bolo modesto e tomava seu café doce, e conversar era o que não se via. Ela, velha em sua idade, eu, moço de bobo. Dona Lourdes me chamava de menino.
Fiquei sabendo da vida de Dona Lourdes, pelo pouco que falávamos, ela com seu escasso vocabulário, sua fala mansa e ponteada, seu olhar me apertava o coração, ela olhava fundo no olho da gente. Tinha um filho boiadeiro que voltava só nos fins de anos, trazendo a prenda para a santinha do canto da sala. O outro era casado e morava na cidade, tinha dois filhos doentes, um doente dos ossos e o outro da cabeça, e a nora era curta dos sentidos. Dona Lourdes sentia uma dor de sozinhês que custava a repartir com os outros, só vez rara se remoia e se condoia de si própria.
Fui mandado pra outra parte e não pude mais ver a minha dona Lourdes.
Voltei depois de tempos e outonos. Refiz o caminho, a última flor que lhe dei tinha caule, era vermelha e rescendia um cheiro que deixava a gente tonto. Não sei o nome. Senti de verdade que meu coração queria o de dona Lourdes. Ela estava mais velha, mas nem se via, contei a ela das minhas andanças e senti no seu suspiro uma tristeza ainda não vista. Ela me falou pela primeira vez da falta que lhe fazia seu finado marido e da dificuldade da solidão, acho que dona Lourdes se declarava para mim, tive medo, corri e nunca mais voltei.
Fiquei sabendo de sua morte mais tarde, olho para o tronco da goiabeira e vejo seus olhos de índia me espiando e contando de um desejo que não podia ser aberto. Tinha de continuar velado. Chorei muito, solucei, e não entendi direito aquilo tudo. Lembrei-me que da última vez que nos vimos ela não me chamou de filho, nem de menino, o que me fez correr foi sua voz, no atropelo do coração, me chamar de amor.


terça-feira, novembro 02, 2010

dichter

Dichter significa em alemão poeta, dichten, poetizar, compor.
Dichten pode ser também vedar, tampar. E no sentido figurado
Er ist nicht dicht (ele não é tampado, vedado, ele vaza) significa:
ele não regula bem, é doido. Por enquanto não regulo bem, sou
doido, não sou vedado, não sou tampado, não sou poeta.
E a amiga vai ajudar-me a tornar Dichter. Vai ajudar-me a
vedar, a tampar, a mentir deslavadamente.
Dichtung und Wahrheit, Mentiras e verdades, poesia e realidade
(Coisas de Poeta, coisas da vida) É o nome da auto-biografia de Goethe.
O poeta mente (Fernando Pessoa dizia do poeta fingidor)

sábado, outubro 30, 2010

o galho e o macaco

O branco chama o delinquente de preto
O judeu chama o delinquente de muçulmano
e vice-versa
O varão o chama de veado
O macho de fêmea
O criacionista de ateu


Frei Betto peca
o esmerado não se esmera
O ateu, também acusa o delinquente
e contundentemente o chama de
Ser Humano

sábado, julho 24, 2010

do passado

de tempos






Aos poucos vou descobrindo que o homem possui uma memória muito mais incompleta do que as mulheres, percebo isto nas conversas e nas relações do dia a dia. Por isso não me julgue mal por estar sempre a falar do passado, como se este fosse o ninho das maravilhas do mundo. Não é, porém, por ser-me escuro, pelas lembranças andarem em vai e vem, desconexas e, por muitas vezes desconsonantes, preciso me agarrar a elas, às lembranças e arrancar-lhes o que resta, espremê-las e de seu sumo poder aproveitar o máximo que possa de um mínimo que existe. Na realidade o que existe de sofrimento em minha vida ou em meu passado é a minha relação com a lembrança. É difícil esse exercício, não ocasionalmente, nauseabundo.

O que normalmente deve vir em imagens conexas e lógicas passa por minha cabeça surreal por demais, cortado, picotado. Preciso completar essas lacunas, e que lacunas! -lagunas, seria melhor dizer,- com a pouca prosa que tenho, entenda-se a importância, então, da literatura em meu mundo miúdo. Pode o outro chamar-me mentiroso inglório, celerado na força da palavra e da epístola, não pode o outro entrar em meu miúdo mundo e de lá entender qualquer coisa. O outro não sabe da minha necessidade de, digamos, construção cooperativa da realidade. Minha.

Não sei simplesmente descrever o que se passou em brevíssimas letras, a tendência de floreamento vai muito mais além da estética, ela serve de paisagem. É a decoração do que se passou comigo. E vira-se a bela menina de olhos de leopardo, cabelos louros como que se de anjos fossem, e num sorriso mais franco que pude presenciar em minha vida me convida ao jogo-da-velha. Eu, que, averso ao jogo e as apostas, me entreguei de pronto a tal façanha. A pergunta não pude deixar que presa ficasse. Perguntei-lhe se era nova alí, o que em uma onda de riso e sinceridade deixava trasparecer inequivocamente o quão errado estava.

Sim, já tinham se passado várias semanas e só alí, naquela hora, me era consciente a sua presença, sentada diretamente a minha frente. E essa presença se tornou fundamental em minha vida apartir daquele momento, o que poderia se chamar talvez amor à primeira vida ou algo parecido...

Sem falar que a vida para mim se torna mais bela desse jeito, não tenho o futuro, nem me interesso por ele, o presente arrasta-se em minha frente como um ente disforme e mole, está a se derreter em sua doença peçonhenta, possuo o passado coberto em névoas que tento desvendá-lo e nele, me tornar artista, poeta e senhor do meu miúdo mundo.

sábado, julho 10, 2010

josé

de um canto da estante







Onde quero chegar, a pergunta torta que me atormenta neste instante, onde quero chegar com isso que estou a escrever. Mesmo que uns não se aguentem sobre impaciência, meu escrito se contorce vagarosamente e antes mesmo de ser grafado sobre papel, com grafite ou tinta, vai a lutar nas fileiras inconvenientes de meus pensamentos. Tortuoso é o caminho à luz que se dá, tortuosa é a forma a que se propõe a tomar e mais tortuoso é o conteúdo, que proposto, é um e, solto, livre, vai em direção, vezes muitas, oposta ao querido.
A falta sentia eu de Urs, amigo velho com o qual comungo livros, músicas e estilos de vidas, não tinha este para olhar o olhar dos amigos, que quer dizer do que se concorda e o discôrdo. Jantávamos em separado, devido à dimensão minúscula das mesinhas da mensa. Cada qual com seu cardápio escolhido do modesto e simplório menü universitário. Em meu prato uma lazanha esverdeada, dividindo espaço com simples salada. Antes o José já tinha me dito de sua fome. Do mesmo modo que eu, nós, José e Theo, o livreiro português, comiam sofregamente, sofregamente estes, enquanto, nós, apenas comíamos. O vinho verde acompanhava o jantar e o clima. A noite era portuguesa. O espaço era alguma universidade ou associação de Frankfurt, nada de Escola de Frankfurt. Estamos aí por volta de 1998.

Todos os Nomes, aquele que há pouco lhe autografei, vai ver aí o que procura. Disse-me José. Mas... será que eu mesmo transparecia meu conflito, me perguntava assombrado, e era essa, obra difícil, impalpável, quebrada... O problema era que o dilema, este, viria muitos anos depois, muitos, viria quando, ah... E conversávamos sobre as injustiças do mundo de lá, que era o meu na época e do mundo de cá, esse, aqui, o palpável. José falava com propriedade sobre os dramas do povo, tanto o seu, português, quanto o do resto do mundo, o povo, diria ele, anda a sofrer igual, o que muda são as formas e as proporções reais.
A janta se foi, Théo, o livreiro, cordato e equilibrado que só ele, tinha o orgulho de ter tido que deixar sua terra, seu Portugal, devido as efervecências do início dos anos setenta, pois que, metido estava, no destino da democracia de seu país, ía apagando as luzes de nossa conversa na medida em que, no gosto azedo final do vinho, ia se envolvendo em si mesmo. José ainda ia ter de falar ao público, voltaria com a barriga cheia e de melhor humor. E contaria a estória da maior flor do mundo. Por ter ouvido de sua boca e de seu português ferrenho, jamais ousarei lê-la eu mesmo.
Eis que, anos depois me deparo com essa lembrança boa, reentrei em Todos os Nomes e lá encontrei algo que procurava mas que nem sabia da procura, encontrei a estória da solidão, da ante-câmara do desespero e da saudade imensa, saudade do inefável. Encontrei ali naquelas páginas algo tão íntimo e intransferível que arde a goela. Só eu pude e poderei entender alí o que significa a palavra musa para um poeta. Só eu poderei, no meio de tantos nomes apontar para aquele e dizer, este é o nome e este nome é a razão de meu viver.

sexta-feira, junho 18, 2010

tempos difíceis









nas penumbras dessa sociedade desgraçada,

quem? vai iluminar o caminho
Saramago se foi
deixando órfã repleta rede
de cabeças ainda enterradas em medieval
circunstância e prenhe de novidade

Saramago, será mago?

domingo, junho 06, 2010

chapter 24


chapter 24
(Syd Barret)








Cápitulo 24

Cada movimento é completado em seis passos
e o sétimo traz o retorno
o sete é o número da jovem luz
que surge quando a escuridão aumenta
A mudança traz o sucesso de volta
vindo e voltando sem erro
A ação traz a sorte
Pôr do sol.

É o tempo do solstício de inverno
quando a mudança está bem aparente
o curso dos céus, trovões na terra
As coisas não podem ser destruídas para sempre
A mudança traz o sucesso de volta
vindo e voltando sem erro
A ação traz a sorte
Pôr do sol, alvorada.

Cada movimento é completado em seis passos
e o sétimo traz o retorno
o sete é o número da jovem luz
que surge quando a escuridão aumenta
A mudança traz o sucesso de volta
vindo e voltando sem erro
A ação traz a sorte
Pôr do sol, alvorada.


traduzido por bruder franziscus e confligerante

sábado, maio 22, 2010

dark side










desta vez não deixei que a garganta me doesse
the dark side of the moon me feriu
como há muito não tinha acontecido
doeu fundo, no coração na alma
e deixei o choro me pegar, me embalar
o que restou foi a ardência nos olhos
o catarro sobrante nas narinas
e o cérebro tremulando com a melhor música

the great gig in the sky, a voz de clare torry
a melodia fabulosa que wright nos deixou,
seu som de piano e a guitarra arrastada de gilmour,
se algo melhor existe ainda não reparei.

é o mais puro jazz em rock, que nos manda fechar os olhos,
e no último volume deixar que o mundo se acabe
que o telefone toque, que a campainha arrebente
e que o compromisso se exploda

e mais uma coisa
esse david gilmour toca pra caralho.

terça-feira, abril 06, 2010

Traum

Chegamos em um lugar lindo, parece que era início do outono, plátanos jogavam suas folhas vermelhas pelo chão, amarelas salpicavam a cor de sangue no solo decorado. O clima era simplesmente aconchegante, dava gosto a permanência ali naquele parque, e além do mais o tom da estação contrastava com o sentimento da estação, na tela era frio, mas na realidade o que se sentia era um verão gostoso, tão envolvente como o útero de uma mãe.

Era, com certeza, algum lugar nas portas da cidade da luz, Paris ria-se e envolvia, mas o que víamos era um lugar feito só pra nós, não existia ninguém, não existiam pássaros, não existia ruído. Nada se via movendo, só os plátanos e as bétulas que balançavam e espalhavam suas folhas como que se o decorador mexesse em alguma maquininha de decoração que ia sobrepondo as folhas ora vermelhas, ora amarelas como que em um quadro pintado com pasta acrílica.

Coisa esquisita era, também, notando-se toda essa quietude pitoresca, uma música que surgia e chegava até nós, chegava do infinito, chegava do impossível. Por mais que eu procurasse, olhasse, e quase que, por isso, me descabelasse, não tinha como encontrar de onde saía aquela música, era uma melodia, claríssima, completa, quis até apanhá-la no ar, de tão real e sólida que parecia. Era algo que lembrava Mahler, misturada com Debussy, às vezes.

Me vi sozinho, a paisagem continuava lá, o decorador resolveu colocar, agora, um lago ao fundo, não caminhei, não saí do lugar, vermelho e amarelo se sobrepunham no chão, bétulas e plátanos continuavam em sua dança feminina, mas aquele lago se unia àquela música, tudo ficava mais incrível, da água saía como que uma névoa, uma bruma, não era espalhada, flutuava em cima do lago. Pouquíssimas folhas singravam aquela água branca, alguns gravetos e parece que manchas escuras tingiam a superfície da água, o que me levava a crer na existência de velhas pedras ali submersas.

Apesar de não saber nadar, a música, o singrar das poucas folhas, a falta de vida e a névoa me chamavam para a água, sem pensar, seguindo o ritmo que esses componentes me impunham, descobri minha nudez, minha solidão se tornou tamanha, dolorosa, e para fugir das árvores pulei naquela água nem quente nem fria nem morna, e ali me aninhei por um bom tempo.

Submergi e abri os olhos vagarosamente, nadava, e nadava bem. O lago tinha uma água densa e turva. O turvo era esbranquiçado, de modo que o que eu via era sempre difuso, foi quando me dei conta dos inúmeros cadáveres brancos, carecas, nem gordos nem magros nem fedidos nem feios, que me roçavam a pele e que passavam nadando por toda parte. Fechei os olhos. Não me lembro de mais nada.





este escrito vai para Marise Blanc

sábado, abril 03, 2010

terça-feira, março 23, 2010

gostos

de tempos atemporais






do que eu gosto mesmo é de escrever sobre o sentimento

do meu sentimento
do meu estado de espírito
do meu sofrimento
do gosto agreste em minha boca
da dor de cabeça nojenta
do ombro que vez ou outra me dói

da paixão que me entedia
do amor que me consome na ante-câmara da saudade
da saudade gosto de escrever mais ainda
saudade do que nem sei mais o que
saudade de minha infância triste
saudade de minha adolescência rebelde e crítica
saudade de quando não havia PREOCUPAÇÃO

e assim vou eu
em busca de um sentimento qualquer
que me faça voltar preste blog
fuçar a glaura em seu rosa,
meus bandidos políticos jornalísticos
meus escritores em fim de carreira
e deixar minha escrita momentânea
minha batida do coração crepuscular
pulsando ainda que morto

corro na biblioteca e acho o autógrafo que
Saramago me deu, e penso canalhamente no quanto
vai valer este livro daqui há alguns anos
terá morrido, não autografará mais.
O carnaval passou
e me deixou saudade de outros
carnavais.

domingo, março 21, 2010

esquentando

Vocês já imaginaram se o candidato a vice de Dilma tivesse sido preso, nas mesmas condições do Arruda, o que a mídia brasileira estaria esmiuçando sobre a relação entre os dois?

sábado, março 20, 2010

mudança provável

Não será de se estranhar se esse meu blog adotar, com o andar deste ano, uma pequena mudança de conteúdos. Ao aproximar do fervo eleitoral ferve também o sangue e os olhos mostram um vermelho de luta, de guerra. Sinto no ar um cheiro imundo que emana dos meios de comunicação de massa, meios que se tornaram aparelhadores da direita brasileira, meios que se auto-elegeram megafones da civilidade, da moral, da ética e da honra (perdida) de nossos senhores barões, portadores dos bens nacionais e das almas que fazem suas riquesas multiplicarem.
O conteúdo poético, se é que existiu, seguirá encabeçando esse lugar dos escritos, a literatura é o mais importante, no final de tudo, ou afinal de contas, e vai continuar a ser, mas preciso me reativar politicamente e fazer renascer um espírito que existiu na mais pura juventude, o espírito romântico e ingênuo. Que, porém, delineou caminho correto e bonito.
Com isso, tendo a deixar correr aqui também textos de camaradas colegas (virtualmente), o exemplo aí de baixo confirma, de modo a ajudar no esparramamento dos antídotos contra este mal que está sempre a nos perturbar: o mal da imprensa marron.
Aqui vamos defender Eduardo Guimarães, Maria Frô, Azenha, Paulo Herique Amorim, Miguel do Rosário, Emir Sader, entre outros e muitos outros. Vamos ignorar solenemente os que usam a lama para se sustentar, que usam a calúnia e o ódio. Ignoraremos aqueles que não se sustentam a quatro olhos e que se escondem por detrás do teclado e do PC, que aceitam tudo por serem passivos instrumentos de qualquer labuta.
Dessa vez a guerra será melhor, estaremos do lado do povo (como sempre) mas agora no mais amplo sentido da palavra, e a luta será contra uma minoria ínfima detentora de um poder estrondoso. Mas o nosso poder há de se sobrepor, pois, estando com a razão e ativos nos anceios e afãs populares, nenhum órgão midiático ou partido político chulos poderão se contrapor ao novo e imbatível exército que se forma atrás da rede de camaradas que se sustentam e se correspondem, tornando-se cada vez mais conectados e abastecidos dos necessários anti-corpos contra as infâmias e o poder podre que está emanando de São Paulo.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

ufologia

de tempos cruéis










Escrafunchei estes céus como louco, deitei em terras e lajes
barriga pra cima, olho vidrado e ardente
(hoje uso óculos), acompanhei satélites artificiais
que se deslocavam de vão a vão

Meus olhos eram fracos e eu não sabia
mesmo assim ritualisticamente media
o céu que não era o mesmo, pois ímpar
esquadrejando marias e poetas cansados

Fui à Alemanha, de lá também quadro a quadro
em palmos, em frios de noites terríveis, dormi
no céu de Paris, claro que só ele em suas luzes, nada
vi estrelas ralas sob as areias velhas do mediterrâneo

Enfim, um anjo se foi um dia e que dia
pra nunca mais voltar, qual pluma que de leve se sossega
levando além de si um muito de mim
e com isso meus discos voadores de uma juventude terrível.