quarta-feira, agosto 12, 2009

caro data vermibus

caro data vermibus
caro data vermibus
revolvem as carnes
nos fundos das covas
fedidas fedidas

carne furada a tiro
numa manhã de sol e calor
calor para feder o tecido
queimado do tiro
que ardeu em fogo

revólver calibre 38
cromado e de cano curto
na mão de algum rapaz
eloquente
a cara do crime é branca

o rapaz roubou um revólver
de seu avô
de tédio
e do alto de sua sacada
enfastiado do video game
alvou de vermelho
um rabino que passava pelo outro
lado da estória

o revólver fez um
cadáver
de tédio, de cara branca
de precisão e de cartola
preta

carnes revolvem os vermes
que revolvem as carnes
que revolvem os verbos
e deus foi pouco
caro data vermibus
caro data vermibus







ao Conrado

dos cães

histórias de meu psiquiatra preferido







tínhamos mais coisas em comum do que coisas

que nos separassem, essas atingiam, porém,

mais fundo que aquelas. o dotô sabia que os

cães se comunicavam daquele jeito, eu também

sabia. deixou isso claríssimo quando quis

explicar, para que eu não temesse nem estranhasse,

que, aquele alarido todo de latidos e uivos era

simplesmente uma conversa, e que, eu, embora

não latisse, tinha a honra, e que honra, de participar

de colóquios assim...