segunda-feira, abril 20, 2009

paralelo

uma lembrança, com permissão de Gi digestora
(brincadeiras de ir e vir de crianças)








uma vez brincamos de sermos um e outro em peles de diferentes sexos, eu brincava tão sério
como só uma criança pode brincar, você... você, de novo me escreveu, e se não fosse escrito por
você, que sei que sou eu ao escrever, choraria, choraria por não ter sido eu a escrever você.

E eis que você "me" fala:




"Choro de susto, por constatar uma dor que pouquíssimas vezes (e agora não me vem um exemplozinho sequer) se materializou na minha alma: arrependimento. Dor do não vivido, parando pra pensar, sempre foi algo estranho à minha natureza. Agora essa... eu, que sempre me repito a existência apenas do presente, da vida aqui, do “mundo bem diante do nariz”, eu, um grande arroto de frases feitas e fáceis, deixei de aproveitar abraços e sorrisos que me apareceram. Tudo por dúvidas que, no tempo certo, se dissiparam. Eu, tão jovem, ainda não aprendi a dar ouvidos de verdade àquele velho moribundo que vez e outra fala comigo, aquele sábio senhor que tantas vezes me aconselhou a colher o presente com as mãos enquanto o porvir espera por seu tempo de maturação"*

*
Gi, Metanóica