domingo, outubro 04, 2009

negras rosas

tempo de espera







quem sabe seja agora, outra vez, a hora

de fechar a porta, passar a chave
olhar pra dentro pensar profundo
entender-me a parte
no mundo na lembrança no instante

ver dentro, sentir o fundo
recarregar as tintas
as forças, aproveitar os estados de só
sem dó,
visitar os fantasmas recalcados,
as marcas nas poltronas
que mostrou-me o Nava

tactear no escuro
sabendo a certeza dos pontos de luz
que não se acenderão
sabendo que aqui pra direita tenho
a janela inerte e blindada
a noite que não vejo
a curva que não quero

ora, será? hora
de reparar nos começos
dos desenhos dos sulcos no rosto
do cansaço dos olhos fracos
no início e no fim da irritação vã

despeço-me daquela marca na
poltrona que era de meu amigo,
que há pouco foi, ficaram seus filhos
meus queridos
despeço-me da cantora distante
não contenho o pranto
umedeço um canteiro
em que rosas negras
resplenderão


ao meu amigo Sr. Thomé, que se foi

Um comentário:

Saulo Gontijo disse...

Fantástico João.....