domingo, abril 26, 2009

desbaste


Seguir uma listinha guiadora, sei que não dá certo, a escrita para mim não segue normas, muito menos roteiro. Nem vou tentar.
Por intuição gostei sempre de Monteiro Lobato, não sei o motivo. Quando mais menino ouvi muito falar do livro O Escândalo do Petróleo, e de suas consequências para Lobato, consequências trágicas e ricas para a história. Ainda menino, não tendo em mãos o acima citado livro, tive em mãos O Poço de Visconde, notória versão de desabafo e inteligente incursão ao mundo da geologia e da geografia, passando por química, física e sei lá mais o que. Gostei do livrinho e o deixei guardado para mim, talvez no coração.
Não me aprofundei no assunto e nem no autor, como não me aprofundo em nada, também talvez por intuição. Gosto de ler e de tentar me entender, e isso já não é pouco trabalho. Larguei a escrita para o futuro, o que muito provavelmente não irá acontecer, ficarei nessas rasidades eternamente.
E nessas rasidades gostaria de lembrar a falta de reconhecimento devida a Lobato, senti, reescrevo, senti sempre uma sub-importância em relação a ele, como acontece geralmente com os escritores que se propõem a escrever para as crianças, e esses mesmos que os subestimam não entendem que o alvo são os adultos e os críticos, sempre mórbidos.
A falta de qualificação necessária a esse escritor foi muito usada, creio, para desqualificar também a sua tese do petróleo e a suas ramificações na sociedade brasileira. Foi tido como besta, ou visionário, leigo ou incientífico e o petróleo era motivo de chacota em alguns meios, acho.
Mas, o que pra mim é certo, foi que os especialistas fracassaram também nesta questão, os profissionais e os entendidos de plantão não acreditavam que o Brasil poderia vir a ser uma potência portadora de tecnologia de ponta no quesito energia.
O Querdenker Lobato peitou a todos, se comprometeu em vários níveis, se prejudicou em alguns sonhos mas deixou o legado da visão vinda de sua intuição.
O conhecimento pode vir da intuição, não devemos desprezá-la. A intuição vinda do conhecimento ilumina o profetismo. Lobato foi nesse sentido profeta.
Mas o conhecimento pode ser corrompido pelo seu meio, por seus próprios tutores, por motivações várias. A intuição não se corrompe, ela vem no máximo corrompida, e isso já é outra filosofia...

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