sábado, junho 02, 2007

sils-maria

para minha mãe




Hier sass ich, wartend, wartend, - doch auf nichts,
jenseits von Gut und Böse, bald des Lichts
Geniessend, bald des Schatten, ganz nur Spiel,
Ganz See, ganz Mittag, ganz Zeit ohne Ziel.
Da, plötzlich, Freundin! wurde eins zu zwei -
- Und Zarathustra ging an mir vorbei...



sentado aqui, esperando, esperando por nada
além do bem e do mal, a luz, logo, gozava
logo a sombra, somente brinco com algo
somente lago, só meio dia, só tempo sem alvo.
Então, derrepentemente, amiga, de um são dois
- E Zaratustra rápido por mim se foi...


Tradução livre de Sils-Maria de Friedrich Nietzsche
Confligerante

Frederico

de um canto da estante




a porta se escancara rapidamente em meu nariz, o sangue jorra estantaneamente, levo as costas da mão ao nariz afim de estancar o sangue.
Frederico não sabia de minha presença, abrira a porta com força e talvez raiva.
Fico atrás dele e da porta entre-meio aberta, observando seus movimentos e seu rompante. Mesmo com a janela embaçada pelo frio soprado violentamente pelo vento ele fica a observar a fundura do penhasco e o verde do musgo, vivo e úmido.
Suas mãos nas costas não param, entrelaçam os dedos, cruzam os dedos, se apertam.
Seguram a borda do casacão na região da cintura. Ao mesmo tempo que tampam a boca para receber o bafo quente que as aquecem, se esfregam com força.
Frederico parece cego, seus olhos pequenos estão vermelhos, lacrimejam constantemente, talvez estejam chorando aos poucos.
Passa a mão no bigode e começa a querer sair novamente. É inquieto. Parece uma pilha.
De repente começa a sussurrar, ewige wiederkunft, ewige wiederkunft.
Quando vejo já saiu, batendo a porta.
Olho-o a se distanciar, parece que Frederico saltita, dança ou quem sabe, levita.