quinta-feira, abril 05, 2007

mãos de Eurídice

do tempo de saudade




me falaram das mãos de Eurídice
e me lembrei d'alguma amizade
que muito cedo se foi
deslembrei-me do teclado
esboço linhas à mão
e tinta azul

as mãos de Eurídice, retintas,
tocavam na ferida ou no
dilacero
pensavam o amor da gente
que junto com a boca
sopravam encantos e ervas-de-são-joão
curavam as chagas, os roxos
calavam as dores dos amores

as mãos de Eurídice faziam as voltas
de meus suspiros
percorriam, estiradas, o horizonte
os olhos seguiam a procurar o
coração da moça

as mãos suas tinham o macio
do veludo do lírio
as mãos de Eurídice tinham a
tez da rosa
e seu justo perfume