sábado, junho 02, 2007

Frederico

de um canto da estante




a porta se escancara rapidamente em meu nariz, o sangue jorra estantaneamente, levo as costas da mão ao nariz afim de estancar o sangue.
Frederico não sabia de minha presença, abrira a porta com força e talvez raiva.
Fico atrás dele e da porta entre-meio aberta, observando seus movimentos e seu rompante. Mesmo com a janela embaçada pelo frio soprado violentamente pelo vento ele fica a observar a fundura do penhasco e o verde do musgo, vivo e úmido.
Suas mãos nas costas não param, entrelaçam os dedos, cruzam os dedos, se apertam.
Seguram a borda do casacão na região da cintura. Ao mesmo tempo que tampam a boca para receber o bafo quente que as aquecem, se esfregam com força.
Frederico parece cego, seus olhos pequenos estão vermelhos, lacrimejam constantemente, talvez estejam chorando aos poucos.
Passa a mão no bigode e começa a querer sair novamente. É inquieto. Parece uma pilha.
De repente começa a sussurrar, ewige wiederkunft, ewige wiederkunft.
Quando vejo já saiu, batendo a porta.
Olho-o a se distanciar, parece que Frederico saltita, dança ou quem sabe, levita.

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