sábado, fevereiro 11, 2006

zurück?

sinto que sai, nem sei de onde
sinto que não permaneço
que perambulo
que estou prestes
mas não sei a que
quero quebrar as palavras
desestruturá-las
moer em mó, em moinho
bater na bigorna com martelo pesado
serrar com serrote de cabo quebrado
queimar em fogo, de chama ardente
de maçarico
explodi-las
sentir debaixo da língua
no gosto do beijo, na ponta do cheiro
o estalo do verbo
soltá-la em gás, pulverizando em canteiros
de jardins de depois de amanhã
e assim, livre das asas dos livros
de teias de aranhas
de idéias introjetadas
na correnteza da vida
na roda dos contos cantados
na rua dos desgraçados aflitos
quero senti-las sutis
etéreas, quebrando quebrantos
na casa dos sonhos
do meu despertar

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

serias, ou, ensimesmação

escrito de tempos inseguros


algum verso bramanista, ou como se diz?



eu sou o embrião, o feto
sou carne, osso
alegria e felicidade
do outro
sou vontade, querer, ser
desejo meu, seu, nosso e deles
sou deles
sou o tempo e seu motor
sou o vento, o rio
sou o rio que leva o barco
sou o barco e os namorados
que conspiram na noite um crime
sou o beijo, o cheiro, o som
e a sua ausência
sou o louco, alucinado
a prostituta da noite
a poesia cósmica
o poeta da foice
sou a doença do corpo
sou a causa, vítima, ódio
saudade
sou taciturno e oportuno
e as vezes inoportuno
sou ser do mundo
verme que nasce da terra
sou do ovo, falso
mística, espírito concreto
sou os olhos e a bunda da moça que passa
sou a ponte, o estreito
o remendo e o rebento
sou a política, o ato
o sexo
sou mórbido
a intuição, a medida,
o medidor a medição
sou dentro, sou útero
sou o clímax, no interior da maldade
sou irmão, sou cristo
capeta, esgoto, escroto
inteiramente vampiro
nobre, sou forte, mais do que fraco
não sou qualquer um
e nem diferente dos outros