sexta-feira, novembro 10, 2006

alberto

(de um canto da estante)





Alberto vestia aquele sobretudo cinza surrado, sentava encurvado sobre a mesa pequena do café que ficava em frente à redação.
Na frente da testa, o jornaleco mixo, e as notícias de algum distúrbio em Algéria, algum embate entre os árabes e os franceses, sem falar no desastre diário que era redigido sobre a guerra que estava assolando o continente.
Alberto tinha mais uns livros numa sacola, uma agenda e mastigava uma maçã, pensando nas sementes suculentas da romã.
Seu semblante ficou escuro, parece que seu pai voltou a afligi-lo, mas o que o afligia mesmo era a lembrança de sua querida mãe, que há tempos não via.
A manhã estava fria, o corpo estava esquentado e pesado, cansado, a respiração difícil e a tosse impertinente enrubescia o lenço de algodão.
Ele e Castor tinham muito mais coisas em comum do que a simples antipatia que sentiam pelo General de Gaulle.

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