quarta-feira, julho 26, 2006

inferno

Para Glaura



escrito de tempo de dor



Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
che la diritta via era smarrita
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!

Dante



e o arco se dobra e o fio timbra
uma dor profunda
os dedos sangram e o punho vibra em
ásperas veias
um gosto amargo na garganta
o timbre em dó
a garganta em nó
a flecha em rispe
o golpe e o furo
no porcelanato branco do chão
rastos rubros
escorregados

Um comentário:

glaura disse...

João, muito tempo sem vir aqui?! fiquei emocionada.
não li o "Inferno", de Dante. este texto é uma tradução livre? parece texto seu. lindo isto! se Dante for assim, vou tirá-lo da estante.
vi um filme do Fassbinder "Die Ehe Der Maria Braun"... estou mais encantada ainda com a língua.
um beijo.