sábado, outubro 22, 2005

Thomas


(de um canto da estante)


Thomas estava, enfim, de volta à Suíça. No mesmo hotel, na
mesa à minha frente, na mesma mesa de sempre, folheando aquele
jornal, que até parecia o mesmo.
Suas pernas cruzadas, o cigarro fumegando no cinzeiro e um copo
ao lado.
Os olhinhos se esforçavam à procura de alguma palavra, percorriam
as linhas atentos.
De quando em vez os olhos se soltavam do jornal e iam à procura de alguma outra coisa.
Cruzavam o terraço enorme do restaurante do hotel, e nada encontrando do que ansiavam,
voltavam-se decepcionados ao jornal.
Agora os olhos brilharam, de súbito apareceu à sua frente a figura esguia e tenra
do garçon que desde algum tempo o servia.
O escarlate tomou a face de Thomas que nem soube o que pedir, de certo agora já tinha tudo.
Estava repleto pelo dia. Estava mais rico para escrever outra página do Doutor Fausto.