quinta-feira, setembro 22, 2005

com kafka

(de um canto da estante)



Pus a mão na pele de Kafka
Peguei pelo seu braço de leve
E ele, com sua idade não me repeliu
Alguma coisa conversamos baixinho,
em alemão,
Perguntei: Wie geht's dir, mein bester?
E ele com sua voz baixa e dolorosa me disse
que não estava muito bem e que isso
não importava muito,
Das wäre jetzt nicht so wichtig!
Sua pele foi ficando tensa e avermelhada
no lugar onde eu segurava bem de leve.
Quando vi tirei a mão com pressa e me lembrei
que aquele ali era o Kafka...
E meu coração ficou aos pulos.