sábado, outubro 08, 2005

Fiodor


(de um canto da estante)


A mesa estava esquálida, era uma mesa de carvalho, bruta, grossa
com suas cadeiras de igual madeira, pesadas.
Pesadas como o silêncio e os olhares que espionavam as motivações.
De semblantes sérios, os homens se respiravam sorumbáticos, e sob
a densa fumaça de cigarro o fedor de vodka abrangia o ar quase
incandescente.
Na minha frente estava um velho calvo, de olhos pequenos e
bochechas vermelhas, era alemão, do mesmo modo que também
era alemão o homem à minha esquerda, que usava óculos de tartaruga e vinha tratar de seus espasmos pulmonares.
À minha direita estava Fiodor, barbudíssimo, seus olhos eram inquietos demais, parecia que sua mente andava a mil.
Ouvi dizer que ele era um escritor e que tinha sido preso
e que conseguiu sair vivo de uma condenação à morte.
Sua morte foi revogada na última hora.
Fiodor apostara tudo naquele jogo, mas o alemão à minha frente
acabava de ganhar a partida.
Os olhos de Fiodor pararam um pouco, sua voz rasa me incomodou
Ah meu pai.
Não era em Deus que estava pensando.

2 comentários:

A metanóica disse...

Afinal, vc já assistiu "Match Point"? Woody Allen parece ser obcecado por nosso querido Fiodor. Outras indicações, também de Allen: "Love and Death" e "Crimes e pecados". Foi por causa dele (Woody Allen) que conheci Fiodor.

Confligerante disse...

Boa receita, Woody Allen, vou ver se acho esses filmes, de cinema não entendo muito, ou nada. Mas vale sempre à pena assistir a um bom filme. Gosto de Dostoiévisk mais que demais.
Obrigado pela dica