domingo, setembro 11, 2005

em memória de meu tio menino

escrito de tempos tristes




Soluçava...
e o soluço era seu grito revoltado
nas entranhas do corpo encalacrado
Alimentava da escuridão
embriagava com o sereno,
com o vazio, com o nada

E forte tornou-se logo
obscuro, curto
raso de saber
fundo e amplo de beleza
Não aprendeu quase nada
não ensinou quase tudo
e tão vago era seu profundo
que entorpeceu-se no mundo

Entorpecido pelo desejo
se fez logo lágrimas e trovejos
amores e rancores
doidices, tolices
e meninices
e das coisas que esses homens dizem...

Cuidado
Mas a água que é boa, também nada,
Açoita e rapina
retira da vida uma revida
ou talvez uma sobrevida perdida
boiando náufraga
nos mares de águas da vida

E com risos medidos e submersos
velando um sofrimento mudo e quieto
se fez inexistente, acabado
Pelo pouco que tenha falado
foi velado
Guardo em mim seu deboche
de moleque, guri ou piá
perpétuo, olimpo e gigante

E danem-se os atingidos por ele...




E o que tinha Drummond contra as homenagens?

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